Toucinho-do-céu (a)

Culinária Portuguesa ·sobremesa


Preparação

Põem-se a ferver quinhentos gramas de açúcar com duzentos e cinquenta gramas de água, logo que levante fervura juntam-se cento e vinte gramas de doce de abóbora- -carneira às tiras delgadas ou de abóbora-de-água ou chila, ou de abóbora coberta cortada às tiras finas com uns cortadores especiais, deixando-se ferver até chegar a ponto de espadana; juntam-se então quatrocentos e cinquenta gramas de amêndoas despeladas e pisadas num almofariz, deixando ferver por um minuto; tira-se para fora do lume e, em estando frio, juntam-se a pouco e pouco, mexendo sempre, vinte gemas de ovos e um grama de cidrão ralado, voltando ao lume a cozer, até tomar bastante consistência. Toma-se então uma forma baixa redonda e de paredes lisas, unta-se com manteiga, deitando no fundo uma camada de farinha de dois a três milímetros e por cima a massa preparada, alisando a superfície que se cobre com um pouco de farinha indo ao forno a secar com a portinhola aberta, o que demorará poucos minutos, tirando-se quando, metendo um palito no centro até ao fundo, este sair seco. Desmolda-se, tira-se a farinha que tiver, cobrindo-se com açúcar em pó.

Notas de Virgílio Gomes, Investigador e Gastrónomo

Receita invulgar dentro das tradicionais de “Toucinho do Céu”. A utilização de abóbora-carneira faz a diferença em relação ao uso comum de abóbora-chila. Faz lembrar o Toucinho do Céu de Guimarães, também polvilhado, antes da apresentação, de açúcar em pó.

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