Perdizes com couve lombarda

Arte de Cosinha ·prato principal


Preparação

Tomam-se umas couves lombardas, aproveitando bem o centro delas; dividem-se em quatro quartos (tendo o cuidado de as revistar por causa de algum bicho que tenham entre as folhas) e cortam-se-lhe os talos. Põe-se uma caçarola ao lume com bastante água e tempera-se de sal; em estando a ferver bem e com lume muito forte, põe-se as couves dentro, em quartos; estando cozidas, o que deve ser breve, tiram-se, escorrem-se e espremem-se, mas de sorte que fiquem os quartos com o feitio; depois de escorridas põem-se num alguidar com água fria e metem-se em seguida numa folha.

Preparadas as perdizes e limpas, lardeiam-se com toucinho fino; depois prepara-se uma caçarola com pranchas de toucinho, rodas de cebola, um dente de alho, uns pés de salsa, um quartilho de vinho branco, uma pitada de pimenta e leva-se ao lume a estufar (mas estufadas ao branco, ou sem ficarem coradas) e deita-se-lhe uma colher de caldo de consommé; estando as perdizes prontas, ou cozidas, levam-se ao forno, somente para corar o toucinho; depois tiram-se as perdizes e passa-se o molho para um tacho de barro; picam-se depois 125 gramas de toucinho, pondo-se numa caçarola a derreter; em estando derretido tiram-se-lhe os torresmos e deitam-se as couves lombardas dentro, juntando-lhe o molho das perdizes e uma colher de caldo; leva-se outra vez a caçarola ao lume e, estando as couves bem cozidas ou bem passadas neste molho, colocam-se em pratos, ou numa travessa, pondo-lhe as perdizes por cima.

Notas de Virgílio Gomes, Investigador e Gastrónomo

Esta receita é oriunda do invulgar livro que se publica em Portugal, 1788, unicamente com receitas de doces. Curiosamente é apenas o terceiro livro de culinária que surgiu entre nós. Detalhes da época para miolo de pão transformado em “creme” de ovos, com água de cheiro (ou de flor de laranjeira, ou de rosas), e a terminar com a omnipresente canela.

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